Author: Witness Brasil

12 jan ‘Como um calo ou uma bomba-relógio?’ Reflexões sobre trauma, resistência e o trabalho com direitos humanos durante a pandemia

Por Maria Isabel Di Franco Quinonez, Eliza Hollingsworth, Lily Lucero, Sofia Jordan & Lili Spira  [Traduzido ao português pela Josefina Caro. Publicado originalmente aqui. Versão em espanhol aqui.] No auge da Primavera Chilena, a jornada de protestos que começou no Chile no fim de 2019, o advogado de direitos humanos Danny Rayman voltava para seu apartamento na Holanda sentindo-se angustiado e impotente depois de ter ido a um protesto na embaixada chilena. Longe da sua casa em Santiago, ele testemunhava –pelas redes sociais– a brutalidade da polícia contra os manifestantes que clamavam por uma vida digna na maior onda de revolta social no Chile desde a resistência à ditadura de Pinochet. Danny entrou em ação: criou um arquivo digital para preservar os conteúdos compartilhados no Twitter e Facebook. Seu objetivo era que esse material pudesse ser útil para os esforços futuros por justiça e reparações. Trabalhando colaborativamente com pesquisadores da Datos Protegidos, uma ONG de privacidade digital no Chile, Danny recebeu, verificou, classificou e arquivou centenas de videos da violência policial que acontecia diariamente no país.  A iniciativa foi chamada de Testigo en Línea (testemunha online). Todos os dias, o grupo trabalhava até as altas horas da madrugada, cuidadosamente revisando os conteúdos e assistindo a um fluxo incessante de imagens e vídeos, muitos com imagens fortes, das cenas de violência nas ruas do Chile. Foram seis meses totalmente dedicados a essa missão. Quando a pandemia chegou, a equipe do Testigo en Línea enfrentou uma situação ainda mais grave: a convergência do toque de recolher que foi imposto durante os protestos

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14 set Transformando participação em visibilidade nas transmissões ao vivo

Dando sequência ao nosso post com dicas para aumentar o envolvimento do público durante transmissões ao vivo, hoje vamos falar sobre como o engajamento dos participantes aumenta a visibilidade dos streamings. Você sabe como as interações no seu vídeo se relacionam com o algoritmo que determina para quem sua transmissão irá aparecer? Como usar tags para incentivar a tomada de ações entre seus seguidores? Neste post, vamos entender melhor questões como estas. Foi pensando nas diversas possibilidades que o mundo das transmissões ao vivo pode oferecer para os ativistas e comunicadores, que a Witness criou o projeto MobilizaJá (Mobil-Eyes-US). O objetivo é ajudar ativistas a engajar seus públicos de forma planejada, de modo que eles se tornem também parte ativa das transmissões, sejam mais úteis e co-presentes, quando necessário. Nós tivemos a chance de observar, testar e aprender junto a transmissões que monitoramos no âmbito deste projeto ao longo dos últimos três anos. Agora, nós estamos compartilhando alguns destes aprendizados.   Explique o “efeito em rede” O alcance de seus vídeos e transmissões aumenta em redes sociais a partir do total de engajamento gerado nos comentários e reações (link em inglês), tanto enquanto você transmite, como posteriormente, quando já encerrada. À medida que mais pessoas comentam, reagem, usam tags ou compartilham sua transmissão, mais pessoas ainda irão efetivamente ver sua transmissão em suas linhas do tempo.  Você pode explicar este “efeito em rede” para o seu público. Evite tratar as pessoas como consumidores. Tente não pedir a seus espectadores para “seguir, se inscrever e dar like” – assim como os

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10 mar [Santa Catarina] Vídeo de violência policial contra a mulher viraliza na internet

Mais uma vez o direito de filmar a violência da polícia foi violado diante da câmera de um celular. Dessa vez, policiais agrediram gravemente uma mulher e impediram que uma outra continuasse filmando uma abordagem violenta no município de Mafra, zona rural de Santa Catarina. No vídeo, policiais são vistos em um terreno privado discutindo com um grupo de mulheres, entre eles, uma senhora de 70 anos. Visivelmente alterados, um dos policiais alegando ter sido destacado, efetua uma detenção, e mesmo sem qualquer resistência, uma mulher é derrubada no chão com uma rasteira. Ela teve ferimentos no rosto e uma fratura na perna. Mais uma vez o direito de filmar foi violado diante da câmera de um celular. Dessa vez, policiais agrediram uma mulher e impediram que uma outra continuasse filmando uma abordagem violenta no município de Mafra, zona rural de Santa Catarina.https://t.co/CIUnhm3Dok — Witness Brasil (@WitnessBrasil) March 10, 2020   O caso aconteceu em 19 de fevereiro de 2020 e viralizou hoje nas redes sociais, dois dias depois do dia internacional da mulher em que milhares foram às ruas contra a violência e o patriarcado nos deparamos, mais uma vez com imagens que registram tamanha violência contra uma cidadã. “Não é surpresa que a Polícia fique nervosa quando vê alguém filmando. Eles entendem o poder dessas imagens e não querem que você, nem ninguém, as veja.”  disse Priscila Neri, diretora da witness Ao final do vídeo, podemos ver que quando o policial percebe a gravidade dos fatos que foram registrados, atenta contra a mulher que filmava com seu celular.

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22 fev Ativista transmite ao vivo a sua própria detenção – o que o vídeo nos ensina

Caso no Brasil é mais um exemplo de como o direito de filmar está sendo atacado por policiais violentas em todo o mundo Por Priscila Néri | Leia a cobertura do caso em Inglês aqui | Na noite de 19 de fevereiro, um aliado de longa data da WITNESS, Raull Santiago, foi detido junto com dois amigos enquanto transmitia ao vivo uma abordagem truculenta de policiais do batalhão de choque num viaduto escuro no Rio. Os policiais fizeram jus à sua  reputação e se comportaram exatamente como se esperaria de uma das forças policiais mais violentas e letais do mundo: ameaçaram, empurraram, vasculharam telefones celulares (ilegalmente), e, sem qualquer explicação, arbitrariamente detiveram  Raull por “desacato”. Ao ser  liberado algumas horas depois, Raull perguntou aos repórteres que cobriam o caso: “isso teria acontecido com três jovens de motocicleta em Ipanema, Copacabana ou Leblon?”. Os próprios repórteres estariam cobrindo o caso se Raull não fosse um ativista tão conhecido?  Você estaria lendo isso agora? Para os moradores das  favelas do Rio e de comunidades historicamente criminalizadas, o que aconteceu foi só  mais uma quinta-feira qualquer … ou segunda-feira … ou terça-feira …. Essas comunidades há muito denunciam os impactos brutais das operações policiais e a “guerra às drogas” em suas vidas diárias: escolas fechadas, buscas abusivas, ameaças verbais, agressões físicas, ordens arbitrárias, invasões de casas sem mandado, destruição de propriedade, tortura, desaparecimentos e mortes. E se isso tudo já era ruim durante os chamados governos “de esquerda”, que enviaram tanques militares para as favelas durante as Olimpíadas para os turistas se sentirem

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20 fev Detido por filmar uma abordagem policial

FILMAR NÃO É CRIME A ativista Raull Santiago, integrante do coletivo papo reto, foi detido na noite de ontem (19) enquanto filmava uma abordagem de policiais do batalhão de choque da PM contra seus amigos. Eles saíram do Complexo da Maré, em um grupo de 4 pessoas, divididos em 3 motos e seguiam para o complexo do Alemão para comemorar o aniversário de 31 anos do Raull, na casa da mãe dele, um jantar estava à espera. Raull registrou o momento em que o policial, de forma irregular, inspeciona o celular de um dos amigos e , ao perceber que estava sendo filmado, o policial caminha em direção ao Raull, solicita identificação e depois toma o celular da mão dele.   SOS, POLICIAIS DO CHOQUE ALTAMENTAMENTE VIOLENTOS NOS PARARAM NO MEIO DA AV BRASIL. ESTÃO SUFOCANDO O TIAGUINHO E RICARDO, APONTARAM FUZIL PARA NÓS MANDARAM ESPERAR A FRENTE E TÃO LÁ SUFOCANDO OS MLK https://t.co/P02Dcz6sNO — Santiago, Raull. (@raullsantiago) February 19, 2020 https://platform.twitter.com/widgets.js   Da delegacia, Raull comentou sobre o ocorrido: “Eu não acredito que essa abordagem aconteceria em outro espaço da Cidade. Não é uma abordagem que a gente vai ver no Leblon, em Copacabana, em Ipanema, mas a gente vê todo dia isso acontecendo no complexo da Maré Pra sociedade, jovem negro e favelado saindo de moto de uma favela já é suspeito e criminoso. Mais uma vez a criminalização da nossa vida. A gente sofreu uma abordagem extremamente violenta só por ser jovem, negro e morador de uma favela”.   A polícia frequentemente criminaliza, ameaça e atinge

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