Favela do Alemão

29 out Segurança pública não se faz com sangue

A operação mais letal da história do Rio de Janeiro, a Operação Contenção, nesta terça (28), expõe o fracasso e a violência estrutural da política de segurança no estado e coloca a cidade em estado de terror. A chacina que se desenrola desde as primeiras horas desta terça-feira (28), nos complexos de favelas do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, inscreve-se em um longo e trágico histórico de matanças cometidas por forças policiais no estado — apresentadas, equivocadamente, como política pública. Até o momento, já são 121 pessoas mortas em uma única operação — a mais letal da história do Rio de Janeiro.  A perda massiva de vidas reitera o padrão de letalidade que caracteriza a gestão de Cláudio Castro, governador que detém o título de responsável por quatro das cinco operações mais letais da história do Rio de Janeiro, superando seus próprios recordes anteriores registrados no Jacarezinho (2021) e na Vila Cruzeiro (2022). O que o governador Cláudio Castro classificou hoje como a maior operação da história do Rio de Janeiro é, na verdade, uma matança produzida pelo Estado brasileiro.  Ao longo dos quase 40 anos de vigência da Constituição Federal, o que se viu nas favelas fluminenses foi a consolidação de uma política de segurança baseada no uso da força e da morte, travestida de “guerra” ou “resistência à criminalidade”. Trata-se de uma atuação seletiva, dirigida contra populações negras e empobrecidas, que tem no sangue seu instrumento de controle e dominação. Não há nela elementos que efetivamente reduzam o poderio das facções criminosas

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30 set Curso online e gratuito ensina como filmar violência policial no Brasil

Iniciativa da WITNESS oferece sete videoaulas no YouTube com orientações práticas de segurança, ética e filmagem para fortalecer denúncias de violações de direitos humanos Em outubro, a WITNESS lança um curso online gratuito sobre como filmar e denunciar violência policial no Brasil. O objetivo é apoiar organizações comunitárias, coletivos de comunicação e pessoas defensoras de direitos humanos com técnicas seguras e éticas de filmagem que possam contribuir para a busca por justiça. Ao todo, serão sete videoaulas lançadas semanalmente, publicadas no canal da WITNESS no YouTube, que tratam desde aspectos técnicos de gravação até cuidados de proteção e segurança digital. Cada aula é independente e pode ser assistida separadamente, de acordo com o interesse de quem participa. Há mais de 10 anos, a WITNESS realiza treinamentos e oficinas sobre violência policial nas comunidades periféricas urbanas de diversas regiões do Brasil. Ao longo desse período, acumulou metodologias, abordagens e conteúdos pedagógicos que auxiliam as comunidades e organizações comunitárias que sofrem com a violência policial no país a filmar e a denunciar o abuso do Estado em suas comunidades. “Registros audiovisuais bem feitos aumentam significativamente as chances de violações de direitos humanos serem levadas à justiça. Um vídeo pode expor abusos, contestar versões oficiais, evidenciar excessos policiais e fortalecer a luta por transparência e reparação às vítimas”, afirma Natalie Hornos, gerente de programas da WITNESS no Brasil. Apesar disso, Natalie explica que muitas vezes, mesmo com provas registradas, policiais e outros agentes públicos permanecem impunes. Por isso, ela reforça que capacitar comunidades para registrar e organizar essas denúncias é fundamental. Importância dos

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Oficina de audiovisual comunitário

16 jun Audiovisual como ferramenta de luta e memória no Quilombo do Bracuí

Oficina promovida pela Witness fortalece o uso do vídeo como instrumento de resistência e preservação cultural de jovens quilombolas e indígenas No último mês de maio, a Witness esteve no Quilombo Santa Rita do Bracuí, em Angra dos Reis (RJ), para realizar uma oficina de audiovisual voltada a crianças e jovens da comunidade. A atividade contou também com a participação de jovens indígenas Guarani Mbya, moradores da região, reforçando a importância das alianças entre povos tradicionais na defesa de seus direitos e territórios. Durante dois dias intensos de trocas e aprendizados, os participantes se aprofundaram no universo da linguagem audiovisual com foco especial na prática de edição. A oficina deu continuidade a uma formação anterior da Witness, voltada à experimentação com câmera, captação de som e registros orais. Nessa segunda etapa, os participantes construíram coletivamente um roteiro e vivenciaram a experiência de montagem de um material audiovisual, a partir de imagens gravadas anteriormente e de arquivos enviados pela própria comunidade. Antes da oficina, foi realizada uma coleta de registros feitos por moradores com o objetivo de trabalhar essas imagens, construir narrativas coletivas e reforçar a importância de preservar esses materiais como memória viva. No futuro, esse acervo poderá não apenas guardar as expressões culturais da comunidade, como também servir para denunciar violações e ameaças ao território. Durante a atividade, ainda foi possível colocar a mão na massa para registrar uma celebração tradicional que acontecia na comunidade e complementar com mais imagens o vídeo que estava sendo montado. A proposta da formação foi oferecer recursos técnicos e criativos para que os

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31 mar Deepfakes e abuso digital: combatendo a violência de gênero facilitada pela tecnologia

WITNESS submete recomendações ao Comitê Consultivo do Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre a questão da violência de gênero facilitada pela tecnologia Texto escrito originalmente em inglês Março é um mês para celebrar as conquistas e lutas das mulheres, mas também um momento para reconhecer as ameaças digitais que continuam a afetá-las de forma desproporcional. Desde o vazamento de imagens íntimas sem consentimento, deepfakes abusivos até o assédio impulsionado por algoritmos, a violência de gênero facilitada pela tecnologia (TFGBV, na sigla em inglês) compromete a igualdade de gênero, a liberdade de expressão e a segurança pessoal. Para enfrentar de forma urgente esse tipo de violência, a WITNESS apresentou recomendações ao Comitê Consultivo do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) como parte de seu estudo sobre o tema. O texto destaca lacunas no atual quadro internacional de direitos humanos e oferece estratégias concretas para fortalecer as respostas globais à violência de gênero digital, com base em anos de trabalho com tecnologia e comunidades vulneráveis em todo o mundo. Desde 2018, a WITNESS realiza consultas presenciais globais com jornalistas, tecnólogos, líderes comunitários e outros atores de direitos humanos. Durante essas conversas, a violência sexual e de gênero impulsionada por inteligência artificial (IA) foi identificada como uma das ameaças mais urgentes em várias regiões, como o Sudeste Asiático, África e América Latina. O uso indevido de inteligência artificial generativa para criar deepfakes sexuais não consensuais de pessoas comuns já é uma realidade. Deepfakes que retratam líderes e ativistas femininas em situações comprometedoras ou falsas podem ser usados para

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13 jan Meta, precisamos de mais formas de combater a desinformação (não menos) na era dos deepfakes e da IA

Texto original em inglês A recente decisão da Meta de permitir mais discursos de ódio e conteúdos nocivos sob o pretexto de liberdade de expressão, assim como de eliminar a checagem de fatos no Facebook, Threads e Instagram, representa um retrocesso significativo. Esse posicionamento coloca em risco comunidades marginalizadas e vulneráveis, além de agravar os riscos emergentes da IA (inteligência artificial).  “Embora a checagem de fatos não seja uma solução mágica para resolver disputas sobre o que é falso, ela é uma parte crucial na defesa da informação, na responsabilização dos poderosos e no combate à confusão entre verdade e mentiras. Embora decisões de moderação de conteúdo possam falhar, mais frequentemente elas são voltadas para prevenir danos e ódio, além de fornecer informações às pessoas para que possam julgar por si mesmas o conteúdo que consomem. Ainda precisamos que as plataformas se responsabilizem e que haja uma moderação de conteúdo fundamentada em realidades globais e direitos humanos. Na era emergente da IA, essa necessidade é maior do que nunca”, afirma Sam Gregory, diretor executivo da WITNESS. A decisão da Meta reflete um desprezo pelas vozes e necessidades das pessoas mais impactadas pelas ameaças que ela representa. Comunidades marginalizadas e vulneráveis costumam ser as primeiras e mais profundamente afetadas por informações enganosas e falsas, discursos de ódio e censuras reais e coercitivas por parte de seus governos. Pessoas e grupos parceiros da WITNESS em Mianmar conhecem bem essa realidade, assim como as comunidades imigrantes e LGBTQIA+ nos EUA e globalmente. Em vez de criar mecanismos para amplificar como essas comunidades vulneráveis,

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