Witness Brasil

19 jul Ferramentas para organizar catálogo de acervos de vídeos de direitos humanos

Escrito por Ines Aisengart Menezes e Yvonne Ng Na WITNESS, uma pergunta comum que ouvimos de ativistas e lideranças comunitárias que apoiamos na preservação audiovisual é “Que ferramenta de banco de dados devo usar para gerenciar meus vídeos?”. É uma pergunta complicada, porque não existe uma única resposta correta. Normalmente, nossa resposta é: “depende!” Muitos fatores podem influenciar sua escolha de ferramenta de catalogação ou banco de dados – custo, requisitos técnicos, envolvimento da comunidade, recursos de colaboração, usabilidade, acessibilidade, suporte, treinamento, sustentabilidade, segurança e privacidade para dados confidenciais. Abaixo, iremos comparar quatro ferramentas de catalogação que usamos anteriormente em nossos projetos, de acordo com vários fatores-chave. Esses exemplos estão longe de todas as opções disponíveis e podem não ser os mais adequados para você, por isso encorajamos que você também examine outras ferramentas. Lembre-se, não importa qual ferramenta você escolha, a chave para construir um catálogo eficaz é ter um bom modelo de dados – ou seja, a maneira como você estrutura seu banco de dados, os elementos/campos que você usa e como eles se relacionam entre si. Isso se aplica, quer você esteja usando um programa de banco de dados complicado ou uma planilha simples. Também é importante documentar seu modelo de dados em um dicionário de dados para garantir que a catalogação seja realizada de forma consistente e correta e para ter uma estratégia para incorporar a catalogação em seu fluxo de trabalho. Para obter mais dicas sobre como estruturar dados, confira nosso Guia de Ativistas para Arquivamento de Vídeos . Uwazi  Uwazi é um programa baseado

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06 jun Witness realiza oficina sobre organização de acervos audiovisuais

Com o objetivo de compartilhar noções teóricas básicas sobre gestão de informações, catalogação e metadados para a organização de acervos audiovisuais na plataforma Tainacan, a Witness oferecerá uma oficina online e gratuita durante os dias 27 de junho, 3 e 10 de julho, das 19h às 21h. Nos encontros, também serão feitos exercícios práticos para que as pessoas que participarem possam instalar e criar uma coleção no Tainacan com configuração básica de metadados, filtros e formulário para submissão externa. As inscrições para participar podem ser feitas por aqui. A oficina é voltada para ativistas, coletivos e movimentos sociais que possuem acervos ou pretendem estruturar um. O Tainacan é uma plataforma de software livre para a criação de repositórios de acervos digitais em WordPress, desenvolvida pelo Laboratório de Inteligência de Redes da UNB (Universidade de Brasília), com o apoio da UFG (Universidade Federal de Goiás), do  IBICT (Instituto Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia) e Ibram (Instituto Brasileiro de Museus). A oficina será ministrada por Ines Aisengart Menezes, preservacionista audiovisual, coordenadora do programa de Arquivos da WITNESS  e Diretora-Técnica da ABPA (Associação Brasileira de Preservação Audiovisual) no biênio 2022-2024. Ines trabalhou na Cinemateca Brasileira de 2016 a 2020, atuou como especialista em acesso digital no Eye Filmmuseum (2014-2016) e desde 2019 leciona sobre cinema e preservação audiovisual.   Oficina de Tainacan – gratuita e online, pela plataforma zoom Data: 27/06, 03/07 e 10/07 – das 19h às 21h Inscreva-se!

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24 maio Pesquisa da Witness aponta desafios e oportunidades para a preservação audiovisual

  Texto original escrito por Yvone Ng e Ines Aisengart Menezes, tradução e adaptação de Jéssica Ribeiro Uma parte fundamental do trabalho da WITNESS é ajudar ativistas a arquivar e a preservar seus vídeos para que possam ser usados ​​para promover ações em defesa dos direitos humanos. Ao longo dos anos, temos ouvido consistentemente de parceiros e colegas sobre o desafio de incluir a preservação audiovisual entre as suas atividades, e que nossas orientações, como o Guia de Ativistas para Arquivamento de Vídeos, têm sido recursos importantes. Por conta disso, lançamos uma pesquisa global para perguntar a ativistas, movimentos sociais, organizações, coletivos e pessoas defensoras de direitos humanos sobre suas necessidades e práticas de preservação audiovisual. O objetivo é compreender os desafios atuais e ter informações para oferecer orientações mais adequadas.  Com o apoio da nossa equipe de comunicação regional, estamos entendendo melhor as especificidades e desafios de diferentes localidades. A pesquisa segue aberta (clique aqui para participar), e já teve a contribuição de 28 pessoas que destacaram seus aprendizados e desafios para a preservação audiovisual.  Abaixo, está um resumo das informações que recebemos até o momento:  Quem participou da pesquisa e o que essa pessoa está criando ou coletando? Todas as pessoas que participaram coletam materiais audiovisuais em uma ampla variedade de formatos e tipos, como vídeo, áudio, fotografias, mídias sociais, entrevistas, transmissões ao vivo e mensagens instantâneas. Alguns participantes também criam seus próprios materiais audiovisuais. Uma gama muito diversificada de questões de direitos humanos está representada nos materiais coletados, incluindo meios de comunicação sobre a defesa da água

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16 maio Arquivo e memória: preservação de vídeos para a autonomia comunitária

Texto original escrito por Meghana Bahar, tradução de Jéssica Ribeiro Esta publicação marca o lançamento oficial da campanha global da WITNESS  “#MemóriaAudiovisual: preservação de vídeos para a garantia da memória coletiva” A WITNESS lançou seu premiado Guia de Ativistas para Arquivamento de Vídeos em julho de 2013, há quase 11 anos. Desde então, temos apoiado e aprendido com organizações e coletivos de diferentes países em projetos de arquivamento de vídeo. Isso inclui o Banco de Dados Popular para Responsabilização Policial com a Berkeley Copwatch, Policiamento da Polícia, junto com o El Grito, o Arquivo Sírio com o Mnemonic e o Arquivo do Genocídio Rohingya, lançado em 2022, com a Rohingya Vision. Arquivo comunitário como projeto político O aprendizado da WITNESS ao longo dos anos nos mostra que em muitos contextos onde a violência e a opressão são extremas, a preservação de vídeos comunitários pode ser um ato poderoso, subversivo e influente. Ativistas e pessoas que defendem suas comunidades são testemunhas de um volume sem precedentes de violações de direitos que bloqueiam o acesso à infraestrutura e às condições para manter acervos audiovisuais. Por isso, lutamos para diminuir as enormes disparidades nas oportunidades educacionais, polaridades extremas nas economias e a competitividade na criação e custódia de conhecimentos. Portanto, como podemos captar o que é essencial para os nossos movimentos de direitos humanos de forma a fortalecer as nossas experiências interseccionais? Quando é que as nossas histórias deixam de ser cooptadas ou rejeitadas por forças opressivas? Como protegemos a veracidade das nossas memórias sócio-políticas e históricas do apagamento? A abordagem da WITNESS

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25 jul Use o vídeo para lutar por justiça pela Terra

Por Dalila Mujagic and Meghana Bahar, tradução de Jéssica Ribeiro Este texto é dedicado aos nossos ancestrais, humanos e não-humanos, que nos lembram que nos enraizar constantemente no solo é decolonizar a justiça. Honramos a natureza selvagem da Mãe Terra que os antigos lutaram para regar eternamente. Em sua memória, seguimos na luta por justiça.  A WITNESS tem o orgulho de lançar o novo material ‘Guia de Vídeo como Evidência para Defesa Ambiental‘, que visa a ajudar as comunidades afetadas pelas indústrias extrativistas a coletar documentação de vídeo e foto de alta qualidade e acionável de violações cometidas por grandes mineradoras, governos e muitos outros infratores. Reconhecemos os grandes riscos que as pessoas que defendem o meio-ambiente correm para enfrentar o poder e entendemos que a coleta de evidências visuais é apenas uma estratégia que as comunidades usam para proteger seus direitos humanos ambientais. Esperamos apoiar essa resistência compartilhando o Guia para Defesa Ambiental ao longo dos próximos meses por meio de nossa campanha que amplia os apelos por Justiça na Terra. Junte-se a nós repostando nossos materiais ou nos retuitando, usando as hashtags: #VídeoParaDefesaAmbiental, #Video4Earth  Por que devemos proteger as pessoas defensoras da Terra e da água? Os apelos para proteger a Terra e todos os seus seres vivos estão se tornando mais altos e fortes em um momento sem precedentes, quando comunidades em todo o mundo estão enfrentando e sendo impactadas por crises ambientais devastadoras. Embora as causas do aquecimento global se originem no Norte Global, as pessoas que vivem no Sul Global estão sofrendo desproporcionalmente os efeitos

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07 jun Acampamento Terra Livre: a comunicação indígena como ferramenta de luta e resistência

A maior mobilização indígena do país reforça a importância dos povos indígenas enquanto protagonistas de suas próprias narrativas O ATL (Acampamento Terra Livre) aconteceu na última semana de abril deste ano e teve como tema “O futuro indígena é hoje – sem demarcação não há democracia!”. Em sua 19ª edição, o evento reuniu cerca de seis mil indígenas em Brasília para abordar a defesa de territórios, a importância da comunicação, o papel da juventude indígena, a participação política, a luta de indígenas LGBTQIA+, o enfrentamento das emergências climáticas, dentre outros temas. Ao longo de uma semana, foram realizadas plenárias, cineclubes, atividades culturais, rodas de conversa e marchas que tiveram como objetivo chamar a atenção para pautas históricas dos movimentos indígenas e também realizar reuniões no Congresso. Uma demanda urgente levantada no acampamento é em relação ao Marco Temporal, que dificulta a demarcação das Terras Indígenas, e que está em julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal) esta semana. O evento também contou com a presença de defensores de direitos humanos, políticos e ativistas, como as equipes WITNESS Brasil e EUA, que participaram da cobertura colaborativa e realizaram workshops. Durante o ATL, seis territórios indígenas foram homologados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que esteve presente em seu encerramento. Outro ponto marcante foi o decreto da emergência climática, que culminou em uma marcha e um documento onde os povos indígenas destacaram seu papel no combate ao aquecimento global. Comunicação colaborativa Toda a comunicação do ATL é feita de forma coletiva e liderada por comunicadores indígenas que se organizam em frentes e

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Participantes da rede CORAL em Paraty

13 dez Encontro reúne grupos que trabalham com comunicação e defesa do território no Brasil

Atividade aconteceu em Paraty e teve a presença de mais de 20 ativistas para discutir estratégias de uso do vídeo para defesa do território  Entre os dias 14 e 20 de novembro, representantes de coletivos, movimentos sociais e organizações de diversas partes do país se reuniram para participar do primeiro encontro da rede CORAL – Coletivos Reunidos da América Latina – com o objetivo de fortalecer suas estratégias de comunicação, em particular o uso de vídeo, para a proteção de territórios.  Ao longo de uma semana de atividades, artistas, ativistas, jornalistas independentes e representantes de comunidades indígenas, quilombolas e caiçaras puderam compartilhar suas experiências locais de uso da comunicação como ferramenta de luta social e participar de dinâmicas e atividades de formação da WITNESS sobre produção e preservação audiovisual.  Para o historiador Ademas da Costa, do coletivo AMaravista, de Niterói, estar conectado a outros coletivos permitiu levar o seu território a outras redes e espaços.  “Fiquei feliz por ter pessoas de tantos lugares. Isso ajuda a entender o que acontece com a especulação imobiliária em outros espaços, por exemplo, e funciona para a gente dialogar e ver outras formas de convívio”, destaca.  Dentre as atividades, foram feitas linhas do tempo de cada organização e um mapeamento de atores relevantes nos territórios. Segundo Cristina Rosa, jornalista e representante do Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo, de Porto Alegre, as dinâmicas permitiram ver o quanto de trabalho já foi produzido pelos coletivos e o quanto de pessoas já foram mobilizadas.  “Cada um vê o que faz e vê como compartilha e melhora

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01 dez O direito de filmar reconhecido pelas Nações Unidas

Artigo publicado originalmente no blog da Witness em agosto de 2018. Quando a WITNESS fala sobre o “Direito de Filmar”, estamos nos referindo ao direito de pegar uma câmera ou telefone celular e filmar os militares e policiais sem medo de prisão, violência ou outras retaliações. [1] Embora o direito de filmar seja fundamental para o uso do vídeo para os direitos humanos e seja mantido por lei ou decisões judiciais em alguns países, as leis e práticas de outros países violam explicitamente esse direito. Quando os defensores dos direitos humanos e pessoas comuns que documentam irregularidades precisam esconder suas câmeras ou filmar em segredo, seu trabalho se torna difícil, ou mesmo impossível. E para muitas pessoas, exercer regularmente seu direito contemporâneo à liberdade de expressão envolve pegar sua câmera ou celular e filmar. Desde o uso do vídeo como prova para mostrar violações de direitos humanos por militares e policiais na favela da Maré, no Rio, até assassinatos cometidos pela Alfândega e Patrulha de Fronteira nos Estados Unidos, o Direito de Filmar é essencial. Sem ele, jornalistas têm que trabalhar com grande risco e filmar secretamente, como é o caso dos esforços para combater a desinformação sobre o povo Rohingya, em Mianmar. Como uma resolução recente do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas deixa claro, esse direito é protegido pela lei internacional de direitos humanos. Como as Nações Unidas falam sobre o Direito de Filmar? O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas promoveu esse direito explicitamente na resolução A/HRC/38/L.16, sobre “A promoção e proteção dos direitos humanos

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#DireitoDeFilmar

28 nov PROTESTAR. RESISTIR. EXISTIR. #DireitoDeFilmar, Um Pacto Sagrado Para Proteger

Este texto foi escrito por Meghana Bahar, originalmente em inglês, e marca o lançamento oficial da campanha global da WITNESS sobre o direito de filmar.  Texto também disponível em espanhol A história de Dounya Zayer  Na noite de 29 de maio de 2020, Dounya Zayer, uma ativista, foi a um protesto no Brooklyn, Nova York, em apoio ao movimento Black Lives Matter. O protesto, que começou pacificamente, logo foi invadido por policiais em disparada e manifestantes feridos. Dounya pegou seu telefone e começou a gravar os eventos. Enquanto recuava na direção em que os policiais pediam à multidão para se mover, Dounya foi violentamente jogada no chão por um policial, que também derrubou o telefone de suas mãos. O incidente foi capturado em várias câmeras, inclusive nesta, e se tornou viral. Os vídeos também mostram policiais passando por Dounya, deitada no chão em posição fetal. As gravações acabaram levando à suspensão do oficial D’Andraia. Leia mais da história de Dounya aqui e aqui.   A posição da WITNESS Quando a WITNESS fala sobre o direito de filmar, estamos nos referindo ao direito de pegar uma câmera ou telefone celular e filmar policiais e militares sem medo de prisão, violência ou outras retaliações. O direito de filmar nos permite fortalecer a verdade. Sem o direito de filmar, a verdade será diminuída. Temos certeza de que a veracidade do que filmamos é o que prevalece. É isso que nos motiva a continuar protegendo nossa liberdade de filmar. Como contadores da verdade e construtores de movimentos, nosso trabalho se torna difícil, ou até

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29 abr Acampamento Terra Livre: jovens indígenas utilizam a comunicação como ferramenta de luta

Com internet, câmera ou celular, grupos se organizam para fazer a cobertura colaborativa do evento, denunciar abusos e reivindicar seus direitos   O ATL (Acampamento Terra Livre) chegou ao fim no dia 14 de abril, após 10 dias de atividades em Brasília. Segundo dados da Apib (Articulação dos Povos Indígenas), a maior mobilização indígena do Brasil reuniu 8 mil lideranças de 200 povos indígenas de todas as regiões do país. Este ano, o tema foi “Retomando o Brasil: Demarcar Territórios e Aldear a Política”. Em protestos em defesa da demarcação de seus territórios e contra a agenda anti-indígena do atual governo, os grupos realizaram marchas, plenárias e compartilharam suas vivências. Na cobertura da mobilização, muitos jovens estavam presentes portando celulares, câmeras e microfones para produzir e disseminar informações. Para Isabella Kariri, estudante de Ciência Política que trabalhou na cobertura do ATL, o evento contribui para que os diversos Povos Indígenas se unam e denunciem o que está acontecendo nos diferentes territórios e também nas cidades.  “Acho importante esse levante dos indígenas como comunicadores, porque precisamos mostrar a nossa perspectiva da história e não mais o branco contando pela gente o que nós vivenciamos, o que nós passamos”, afirma.  Erisvan Guajajara, coordenador da Mídia Índia, explica que a comunicação colaborativa do ATL é dividida entre fotógrafos, editores de vídeo, designers e assessoria de imprensa que se falam e se organizam durante todos os dias do acampamento. “A gente está vivendo um momento de muitos retrocessos. Hoje os comunicadores que estão aqui presentes, tanto os indígenas quanto os não indígenas, vêm usando

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