07 jun Acampamento Terra Livre: a comunicação indígena como ferramenta de luta e resistência

A maior mobilização indígena do país reforça a importância dos povos indígenas enquanto protagonistas de suas próprias narrativas O ATL (Acampamento Terra Livre) aconteceu na última semana de abril deste ano e teve como tema “O futuro indígena é hoje – sem demarcação não há democracia!”. Em sua 19ª edição, o evento reuniu cerca de seis mil indígenas em Brasília para abordar a defesa de territórios, a importância da comunicação, o papel da juventude indígena, a participação política, a luta de indígenas LGBTQIA+, o enfrentamento das emergências climáticas, dentre outros temas. Ao longo de uma semana, foram realizadas plenárias, cineclubes, atividades culturais, rodas de conversa e marchas que tiveram como objetivo chamar a atenção para pautas históricas dos movimentos indígenas e também realizar reuniões no Congresso. Uma demanda urgente levantada no acampamento é em relação ao Marco Temporal, que dificulta a demarcação das Terras Indígenas, e que está em julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal) esta semana. O evento também contou com a presença de defensores de direitos humanos, políticos e ativistas, como as equipes WITNESS Brasil e EUA, que participaram da cobertura colaborativa e realizaram workshops. Durante o ATL, seis territórios indígenas foram homologados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que esteve presente em seu encerramento. Outro ponto marcante foi o decreto da emergência climática, que culminou em uma marcha e um documento onde os povos indígenas destacaram seu papel no combate ao aquecimento global. Comunicação colaborativa Toda a comunicação do ATL é feita de forma coletiva e liderada por comunicadores indígenas que se organizam em frentes e

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Participantes da rede CORAL em Paraty

13 dez Encontro reúne grupos que trabalham com comunicação e defesa do território no Brasil

Atividade aconteceu em Paraty e teve a presença de mais de 20 ativistas para discutir estratégias de uso do vídeo para defesa do território  Entre os dias 14 e 20 de novembro, representantes de coletivos, movimentos sociais e organizações de diversas partes do país se reuniram para participar do primeiro encontro da rede CORAL – Coletivos Reunidos da América Latina – com o objetivo de fortalecer suas estratégias de comunicação, em particular o uso de vídeo, para a proteção de territórios.  Ao longo de uma semana de atividades, artistas, ativistas, jornalistas independentes e representantes de comunidades indígenas, quilombolas e caiçaras puderam compartilhar suas experiências locais de uso da comunicação como ferramenta de luta social e participar de dinâmicas e atividades de formação da WITNESS sobre produção e preservação audiovisual.  Para o historiador Ademas da Costa, do coletivo AMaravista, de Niterói, estar conectado a outros coletivos permitiu levar o seu território a outras redes e espaços.  “Fiquei feliz por ter pessoas de tantos lugares. Isso ajuda a entender o que acontece com a especulação imobiliária em outros espaços, por exemplo, e funciona para a gente dialogar e ver outras formas de convívio”, destaca.  Dentre as atividades, foram feitas linhas do tempo de cada organização e um mapeamento de atores relevantes nos territórios. Segundo Cristina Rosa, jornalista e representante do Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo, de Porto Alegre, as dinâmicas permitiram ver o quanto de trabalho já foi produzido pelos coletivos e o quanto de pessoas já foram mobilizadas.  “Cada um vê o que faz e vê como compartilha e melhora

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01 dez O direito de filmar reconhecido pelas Nações Unidas

Artigo publicado originalmente no blog da Witness em agosto de 2018. Quando a WITNESS fala sobre o “Direito de Filmar”, estamos nos referindo ao direito de pegar uma câmera ou telefone celular e filmar os militares e policiais sem medo de prisão, violência ou outras retaliações. [1] Embora o direito de filmar seja fundamental para o uso do vídeo para os direitos humanos e seja mantido por lei ou decisões judiciais em alguns países, as leis e práticas de outros países violam explicitamente esse direito. Quando os defensores dos direitos humanos e pessoas comuns que documentam irregularidades precisam esconder suas câmeras ou filmar em segredo, seu trabalho se torna difícil, ou mesmo impossível. E para muitas pessoas, exercer regularmente seu direito contemporâneo à liberdade de expressão envolve pegar sua câmera ou celular e filmar. Desde o uso do vídeo como prova para mostrar violações de direitos humanos por militares e policiais na favela da Maré, no Rio, até assassinatos cometidos pela Alfândega e Patrulha de Fronteira nos Estados Unidos, o Direito de Filmar é essencial. Sem ele, jornalistas têm que trabalhar com grande risco e filmar secretamente, como é o caso dos esforços para combater a desinformação sobre o povo Rohingya, em Mianmar. Como uma resolução recente do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas deixa claro, esse direito é protegido pela lei internacional de direitos humanos. Como as Nações Unidas falam sobre o Direito de Filmar? O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas promoveu esse direito explicitamente na resolução A/HRC/38/L.16, sobre “A promoção e proteção dos direitos humanos

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#DireitoDeFilmar

28 nov PROTESTAR. RESISTIR. EXISTIR. #DireitoDeFilmar, Um Pacto Sagrado Para Proteger

Este texto foi escrito por Meghana Bahar, originalmente em inglês, e marca o lançamento oficial da campanha global da WITNESS sobre o direito de filmar.  Texto também disponível em espanhol A história de Dounya Zayer  Na noite de 29 de maio de 2020, Dounya Zayer, uma ativista, foi a um protesto no Brooklyn, Nova York, em apoio ao movimento Black Lives Matter. O protesto, que começou pacificamente, logo foi invadido por policiais em disparada e manifestantes feridos. Dounya pegou seu telefone e começou a gravar os eventos. Enquanto recuava na direção em que os policiais pediam à multidão para se mover, Dounya foi violentamente jogada no chão por um policial, que também derrubou o telefone de suas mãos. O incidente foi capturado em várias câmeras, inclusive nesta, e se tornou viral. Os vídeos também mostram policiais passando por Dounya, deitada no chão em posição fetal. As gravações acabaram levando à suspensão do oficial D’Andraia. Leia mais da história de Dounya aqui e aqui.   A posição da WITNESS Quando a WITNESS fala sobre o direito de filmar, estamos nos referindo ao direito de pegar uma câmera ou telefone celular e filmar policiais e militares sem medo de prisão, violência ou outras retaliações. O direito de filmar nos permite fortalecer a verdade. Sem o direito de filmar, a verdade será diminuída. Temos certeza de que a veracidade do que filmamos é o que prevalece. É isso que nos motiva a continuar protegendo nossa liberdade de filmar. Como contadores da verdade e construtores de movimentos, nosso trabalho se torna difícil, ou até

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29 abr Acampamento Terra Livre: jovens indígenas utilizam a comunicação como ferramenta de luta

Com internet, câmera ou celular, grupos se organizam para fazer a cobertura colaborativa do evento, denunciar abusos e reivindicar seus direitos   O ATL (Acampamento Terra Livre) chegou ao fim no dia 14 de abril, após 10 dias de atividades em Brasília. Segundo dados da Apib (Articulação dos Povos Indígenas), a maior mobilização indígena do Brasil reuniu 8 mil lideranças de 200 povos indígenas de todas as regiões do país. Este ano, o tema foi “Retomando o Brasil: Demarcar Territórios e Aldear a Política”. Em protestos em defesa da demarcação de seus territórios e contra a agenda anti-indígena do atual governo, os grupos realizaram marchas, plenárias e compartilharam suas vivências. Na cobertura da mobilização, muitos jovens estavam presentes portando celulares, câmeras e microfones para produzir e disseminar informações. Para Isabella Kariri, estudante de Ciência Política que trabalhou na cobertura do ATL, o evento contribui para que os diversos Povos Indígenas se unam e denunciem o que está acontecendo nos diferentes territórios e também nas cidades.  “Acho importante esse levante dos indígenas como comunicadores, porque precisamos mostrar a nossa perspectiva da história e não mais o branco contando pela gente o que nós vivenciamos, o que nós passamos”, afirma.  Erisvan Guajajara, coordenador da Mídia Índia, explica que a comunicação colaborativa do ATL é dividida entre fotógrafos, editores de vídeo, designers e assessoria de imprensa que se falam e se organizam durante todos os dias do acampamento. “A gente está vivendo um momento de muitos retrocessos. Hoje os comunicadores que estão aqui presentes, tanto os indígenas quanto os não indígenas, vêm usando

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