#DireitoDeFilmar

28 nov PROTESTAR. RESISTIR. EXISTIR. #DireitoDeFilmar, Um Pacto Sagrado Para Proteger

Este texto foi escrito por Meghana Bahar, originalmente em inglês, e marca o lançamento oficial da campanha global da WITNESS sobre o direito de filmar.  Texto também disponível em espanhol A história de Dounya Zayer  Na noite de 29 de maio de 2020, Dounya Zayer, uma ativista, foi a um protesto no Brooklyn, Nova York, em apoio ao movimento Black Lives Matter. O protesto, que começou pacificamente, logo foi invadido por policiais em disparada e manifestantes feridos. Dounya pegou seu telefone e começou a gravar os eventos. Enquanto recuava na direção em que os policiais pediam à multidão para se mover, Dounya foi violentamente jogada no chão por um policial, que também derrubou o telefone de suas mãos. O incidente foi capturado em várias câmeras, inclusive nesta, e se tornou viral. Os vídeos também mostram policiais passando por Dounya, deitada no chão em posição fetal. As gravações acabaram levando à suspensão do oficial D’Andraia. Leia mais da história de Dounya aqui e aqui.   A posição da WITNESS Quando a WITNESS fala sobre o direito de filmar, estamos nos referindo ao direito de pegar uma câmera ou telefone celular e filmar policiais e militares sem medo de prisão, violência ou outras retaliações. O direito de filmar nos permite fortalecer a verdade. Sem o direito de filmar, a verdade será diminuída. Temos certeza de que a veracidade do que filmamos é o que prevalece. É isso que nos motiva a continuar protegendo nossa liberdade de filmar. Como contadores da verdade e construtores de movimentos, nosso trabalho se torna difícil, ou até

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29 abr Acampamento Terra Livre: jovens indígenas utilizam a comunicação como ferramenta de luta

Com internet, câmera ou celular, grupos se organizam para fazer a cobertura colaborativa do evento, denunciar abusos e reivindicar seus direitos   O ATL (Acampamento Terra Livre) chegou ao fim no dia 14 de abril, após 10 dias de atividades em Brasília. Segundo dados da Apib (Articulação dos Povos Indígenas), a maior mobilização indígena do Brasil reuniu 8 mil lideranças de 200 povos indígenas de todas as regiões do país. Este ano, o tema foi “Retomando o Brasil: Demarcar Territórios e Aldear a Política”. Em protestos em defesa da demarcação de seus territórios e contra a agenda anti-indígena do atual governo, os grupos realizaram marchas, plenárias e compartilharam suas vivências. Na cobertura da mobilização, muitos jovens estavam presentes portando celulares, câmeras e microfones para produzir e disseminar informações. Para Isabella Kariri, estudante de Ciência Política que trabalhou na cobertura do ATL, o evento contribui para que os diversos Povos Indígenas se unam e denunciem o que está acontecendo nos diferentes territórios e também nas cidades.  “Acho importante esse levante dos indígenas como comunicadores, porque precisamos mostrar a nossa perspectiva da história e não mais o branco contando pela gente o que nós vivenciamos, o que nós passamos”, afirma.  Erisvan Guajajara, coordenador da Mídia Índia, explica que a comunicação colaborativa do ATL é dividida entre fotógrafos, editores de vídeo, designers e assessoria de imprensa que se falam e se organizam durante todos os dias do acampamento. “A gente está vivendo um momento de muitos retrocessos. Hoje os comunicadores que estão aqui presentes, tanto os indígenas quanto os não indígenas, vêm usando

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15 fev Manifesto Against Xenophobic Racism

“In a racist society, it is not enough to be non-racist, we must be anti-racist.” – Angela Davis The immigrant communities in Brazil and the Black movements in São Paulo publicly express their repudiation against the advance of barbarism and xenoracism, expressed in the murder of the young Congolese refugee Moïse Mugenyi Kabagambe, and in the lack of responses from the Brazilian State. Justice and immediate reparation to immigrants, refugees and stateless persons in Brazil, migratory regularization now! According to the family and the defense, in addition to the violence that ended up with Moïse’s life, there was also an omission by the military police, the metropolitan civil guard and the Mobile Emergency Care Service (SAMU). Additionally, there were reports of negligence against the family of Moïse at the Legal Medical Institute (IML), including serious threats from state agents. Moïse’s death adds to other murders of immigrants motivated by ethnic-racial issues. Remember their names: João Manuel, Kerby Tingue, Fetiere Sterlin, Inolus Pierrelys, Fallow Ndack, Zulmira de Souza Borges, Toni Bernardo da Silva, and Brayan Yanarico Capcha. Besides these brutal cases that have gained prominence, oppressions experienced in the daily lives of these populations, especially by Black and ethnic migrants, is critical, as violations of rights in public services and in the work environment are recurring. The Brazilian State has been the main agent of human rights violations, with the intensification of illegal arrests, police violence, threats of deportation and expulsion, and extreme precariousness in working and housing conditions. Brazil – a signatory country of international conventions and governed by the

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11 fev Manifesto contra o racismo xenofóbico

Por justiça e imediata reparação a imigrantes, refugiados e apátridas no Brasil, regularização migratória já!  “Numa sociedade racista não basta não ser racista, é preciso ser antirracista.” Angela Davis (filósofa estadunidense) As comunidades de imigrantes no Brasil e os movimentos negros em São Paulo vêm a público manifestar o repúdio contra o avanço da barbárie e do xenorracismo, expresso no assassinato do jovem congolês refugiado Moïse Mugenyi Kabagambe e na falta de respostas do Estado brasileiro. De acordo com a família e a defesa, além da violência que ceifou a vida de Moïse, também houve omissão da polícia militar, guarda civil metropolitana e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), bem como negligência com a família no Instituto Médico Legal (IML). Ainda mais grave, a família relata estar recebendo ameaças de agentes do Estado. A morte de Moïse se soma a outros assassinatos de imigrantes motivados por questões étnico-raciais, como João Manuel, Kerby Tingue, Fetiere Sterlin, Inolus Pierrelys, Fallow Ndack, Zulmira de Souza Borges, Toni Bernardo da Silva, Brayan Yanarico Capcha. Além desses casos brutais que ganharam destaque, a opressão no cotidiano da vida dessas populações, sobretudo da migração negra e racializada, é crítica, com recorrentes violações de direitos nos serviços públicos e no ambiente de trabalho. O Estado brasileiro tem sido o principal agente de violações aos direitos humanos, com a intensificação de prisões ilegais, violência policial, ameaças de deportação e expulsão, e precarização extrema nas condições de trabalho e moradia. O Brasil – país signatário de convenções internacionais e regido pela Lei de Migração (2017) e pelo

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25 out Fronteiras Cruzadas: Vídeo como dispositivo anti-xenoracismo

O Fórum Internacional Fronteiras Cruzadas discute a experiência do projeto Videolab_Conexões Migrantes junto à WITNESS de: Daniel Perseguim* | Hortense Mbuyi* | Karina Quintanilha* | Vensam Iala* A migração forçada é atualmente um dos principais fenômenos sociais da barbárie capitalista. Enquanto o número de solicitações de refúgio bate recordes anuais desde a virada do século, vemos intensificar os processos geopolíticos e tecnológicos do racismo de Estado por meio da criminalização da migração, das políticas de indocumentação, das restrições infralegais ao direito de refúgio e tantas outras formas de violência contra as “populações indesejáveis”, sobretudo corpos não brancos, negros, indígenas, latinos, asiáticos e periféricos, colocando novos desafios para visualizar um horizonte para além das opressões de classe, raça, gênero, etnia. Diante dessa conjuntura de crise, o Fórum Fronteiras Cruzadas tem buscado  trabalhar junto aos movimentos migrantes e afrodiaspóricos em São Paulo, propondo o audiovisual como dispositivo de conexão cultural e de defesa de direitos no contexto global de crescente racismo e xenofobia, ou do que pode ser chamado de xenoracismo (xeno-racism, em inglês) como sugeriu o pensador antirracista Ambalavaner Sivanandan. No contexto das lutas travadas por trabalhadores/as migrantes, o vídeo como dispositivo antirracista é sem dúvidas uma tendência, não apenas para visibilizar e denunciar as violências mas também para fazer uma disputa cognitiva — uma disputa não apenas de narrativas — sobre as fronteiras racializadas e sobre a condição mais precarizada e sem direitos desses grupos sociais. As disputas cognitivas entram em cena ao se notar que existe uma estética investigativa, onde o vídeo pode funcionar como documento e plataforma de

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