22 fev Ativista transmite ao vivo a sua própria detenção – o que o vídeo nos ensina

Caso no Brasil é mais um exemplo de como o direito de filmar está sendo atacado por policiais violentas em todo o mundo Por Priscila Néri | Leia a cobertura do caso em Inglês aqui | Na noite de 19 de fevereiro, um aliado de longa data da WITNESS, Raull Santiago, foi detido junto com dois amigos enquanto transmitia ao vivo uma abordagem truculenta de policiais do batalhão de choque num viaduto escuro no Rio. Os policiais fizeram jus à sua  reputação e se comportaram exatamente como se esperaria de uma das forças policiais mais violentas e letais do mundo: ameaçaram, empurraram, vasculharam telefones celulares (ilegalmente), e, sem qualquer explicação, arbitrariamente detiveram  Raull por “desacato”. Ao ser  liberado algumas horas depois, Raull perguntou aos repórteres que cobriam o caso: “isso teria acontecido com três jovens de motocicleta em Ipanema, Copacabana ou Leblon?”. Os próprios repórteres estariam cobrindo o caso se Raull não fosse um ativista tão conhecido?  Você estaria lendo isso agora? Para os moradores das  favelas do Rio e de comunidades historicamente criminalizadas, o que aconteceu foi só  mais uma quinta-feira qualquer … ou segunda-feira … ou terça-feira …. Essas comunidades há muito denunciam os impactos brutais das operações policiais e a “guerra às drogas” em suas vidas diárias: escolas fechadas, buscas abusivas, ameaças verbais, agressões físicas, ordens arbitrárias, invasões de casas sem mandado, destruição de propriedade, tortura, desaparecimentos e mortes. E se isso tudo já era ruim durante os chamados governos “de esquerda”, que enviaram tanques militares para as favelas durante as Olimpíadas para os turistas se sentirem

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20 fev Detido por filmar uma abordagem policial

FILMAR NÃO É CRIME A ativista Raull Santiago, integrante do coletivo papo reto, foi detido na noite de ontem (19) enquanto filmava uma abordagem de policiais do batalhão de choque da PM contra seus amigos. Eles saíram do Complexo da Maré, em um grupo de 4 pessoas, divididos em 3 motos e seguiam para o complexo do Alemão para comemorar o aniversário de 31 anos do Raull, na casa da mãe dele, um jantar estava à espera. Raull registrou o momento em que o policial, de forma irregular, inspeciona o celular de um dos amigos e , ao perceber que estava sendo filmado, o policial caminha em direção ao Raull, solicita identificação e depois toma o celular da mão dele.   SOS, POLICIAIS DO CHOQUE ALTAMENTAMENTE VIOLENTOS NOS PARARAM NO MEIO DA AV BRASIL. ESTÃO SUFOCANDO O TIAGUINHO E RICARDO, APONTARAM FUZIL PARA NÓS MANDARAM ESPERAR A FRENTE E TÃO LÁ SUFOCANDO OS MLK https://t.co/P02Dcz6sNO — Santiago, Raull. (@raullsantiago) February 19, 2020 https://platform.twitter.com/widgets.js   Da delegacia, Raull comentou sobre o ocorrido: “Eu não acredito que essa abordagem aconteceria em outro espaço da Cidade. Não é uma abordagem que a gente vai ver no Leblon, em Copacabana, em Ipanema, mas a gente vê todo dia isso acontecendo no complexo da Maré Pra sociedade, jovem negro e favelado saindo de moto de uma favela já é suspeito e criminoso. Mais uma vez a criminalização da nossa vida. A gente sofreu uma abordagem extremamente violenta só por ser jovem, negro e morador de uma favela”.   A polícia frequentemente criminaliza, ameaça e atinge

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04 fev Moradores filmam agressão policial a jovem em Salvador: ‘Você para mim é ladrão, olha esse cabelo’, diz PM

Moradores do bairro de Paripe, no subúrbio ferroviário de Salvador, filmaram o momento de uma agressão policial durante uma abordagem da PM a um grupo de jovens. Um dos militar agrediu um rapaz com murros e chute, e fez insultos racistas ao se referir ao cabelo dele. O caso aconteceu na noite de domingo (2). Nas filmagens, também é possível ouvir o policial chamar o jovem de “viado”. Percebam que ele está com as mãos vazias quando vai bater, logo depois abaixa para pegar o que parece ser o celular do revistado que caiu no chão. Sai com ele na mão. pic.twitter.com/6PhWEQePeX — Kaio Henrique (@kaiosouza) February 3, 2020 Apenas no perfil do ativista Raull Santiago, o vídeo acumula +20k views. A exposição do vídeo na internet exigiu que a Polícia Militar e autoridades políticas se posicionassem sobre o caso absurdo. Até o governador publicou um tweet fazendo mea culpa e solicitando investigação. A Polícia Militar informou que o vídeo será encaminhado para Corregedoria Geral da PM, para ser analisado e disse ainda que, “não preconiza com a violência e rechaça todo e qualquer tipo de conduta violenta”, mas quem mora na favela sabe bem como a polícia age. “Você para mim é ladrão, você é vagabundo. Olha essa desgraça desse cabelo aqui. Tire aí vá, essa desgraça desse cabelo aqui. Você é o quê? Você é trabalhador, viado? É?”. Gritava o militar, enquanto puxou um boné que a vítima usava. O mesmo policial chega a dar murros na costela do rapaz, além de um tapa no rosto e um

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03 dez O Caso Paraisópolis e os vídeos como prova da violência policial

No último domingo, nove pessoas morreram pisoteadas e outras 12 ficaram feridas durante ação policial no baile funk de Paraisópolis, zona sul de SP. Quase cinco mil pessoas estavam no baile funk quando a ação policial provocou o caos na região. Os vídeos divulgados nas redes sociais evidenciam a disposição da policia, de matar aqueles que simplesmente curtiam um lazer. Até quem não vive na favela sabe que o funk é cultura que retrata uma realidade popular. A Alma Preta, agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil publicou um editorial que além de denunciar a covardia da política que insiste em perseguir e matar, escancara a seletividade midiática em retratar a resistência negra, periférica e favelada. O funk é uma cultura de expressão preta, periférica e favelada. Ritmo da realidade, o papo reto de quem resiste todos os dias. Sim, os jovens funkeiros, os chavosos, resistem diariamente… e não só porque insistem em perpetuar um ritmo de música discriminada, mas por continuarem respirando, afinal, a cada 23 minutos, um jovem negro é assassinado no Brasil. Mais uma vez, os vídeos que escancaram o modo de operação da polícia viralizaram na internet   Os celulares vem cumprindo um papel fundamental na documentação da violência institucional, eles estão presentes em todos os bolsos, também são usados como ferramenta de compartilhamento pra dentro e fora da favela. É dentro dos chats de moradores que as pessoas alertam dos riscos para quem está na rua. É com o mesmo aparelho que grupos interagem com a imprensa local e organismos de direitos humanos, para

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27 nov [América Latina e Caribe] Celulares e Câmeras para denunciar a violência de estado

Vito Ribeiro – Witness Brasil Final de ano tenso ao sul do continente americano, com golpes de estado, protestos massivos, levantamento popular e muita violência por parte das polícias e forças armadas Equador, Chile, Bolívia, Colômbia, Peru e Haití foram / e estão sendo, palcos constantes de protestos massivos por parte de movimentos sociais, indígenas, sindicatos e estudantes, que sacudiram o continente neste finzinho de ano.  Com cenários específicos em cada região, porém semelhantes estruturalmente, a população desses países se levantou contra governos tiranos, aumento do custo de transporte, golpes de estado, denúncias de corrupção, mega-projetos extrativistas, e colocou milhões de pessoas nas ruas de diversas cidades, tensionando os pilares do poder, e resgatando demandas sociais históricas do povo. Em geral o pacote de reação dos governos foi basicamente o mesmo: decretar estado de emergência, toque de recolher, criminalizar os movimentos sociais acusando-os de terrorismo, e aplicar uma verdadeira política de extermínio dos manifestantes, sob a desculpa de “contenção de distúrbio”. Deixando milhares de detidos, cegos, feridos e mortos, em um amplo emprego de armamento letal e “não-letal”, aparatos de guerra, blindados, drones e tecnologia de controle de informação.  Os números são alarmantes se somamos todos os eventos em diferentes países, considerando sempre que essa documentação de dados sofre com a ocultação e manipulação de informações por parte das polícias e órgãos públicos. Por isso organizações de direitos humanos locais e internacionais tem resistido para verificar e denunciar diariamente, atualizando os dados sobre as vítimas da violência policial e militar. Só no Chile por exemplo, o Instituto Nacional de Direitos

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